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Existe um velho
provérbio que afirma: "Uma pedra atirada na hora certa
é muito melhor que o ouro presenteado na hora errada."
Tem sido inúmeras as vezes em que líderes tem me perguntado
com uma expressão facial preocupada e ansiosa: - "Quais
são os parâmetros que necessariamente tenho de obedecer
a fim de decidir se devo ou não permanecer em uma determinada
igreja?" Toda e qualquer pessoa em uma posição
de liderança compreende muito bem a importância e a
absoluta necessidade de tomar uma decisão correta na hora
e no momento apropriado. Um erro de cálculo nesta decisão
pode ser sinônimo de muitas dores as quais trarão consigo
fatalmente enormes chagas e posteriormente incalculáveis
cicatrizes emocionais.
É inevitável que todos nós eventualmente temos
que tomar sérias e importantes decisões e muitas vezes
nós não nos damos conta que a vida está sobrecarregada
de um processo de decisões. A decisão que tomamos
quando tínhamos vinte anos de idade pode ter sido boa e a
mais acertada para aquela idade em particular, mas existem outras
decisões que devem ser tomadas à luz do processo do
momento em que nos encontramos. Porém, é através
da habilidade de analisar o momento certo de se tomar uma decisão
é que pode nos dar os subsidios a fim de fazer uma grande
diferença.
Nos últimos dez anos eu tive que tomar as decisões
mais sérias de toda a minha vida. Foram decisões difíceis
e que certamente - eu estava consciente - trariam enormes conseqüências,
não apenas para a minha vida pessoal, mas para a minha família
e para muitas outras pessoas. Em tempos de sérias decisões
eu aprendi a fazer algumas perguntas que me ajudaram tremendamente
a entender o meu momento histórico e espero que ao compartilhar
com você algumas dessas perguntas, você possa ser encorajado
também no seu momento atual. É meu desejo sincero
e ardente ser essencialmente prático ao tentar ajudar pastores,
líderes, homens de negócios ou até mesmo qualquer
pessoa que está se questionando se já não chegou
a hora de tomar uma decisão relacionado à sua geografia.
Eis aqui dez perguntas que tenho feito a mim mesmo ao me questionar
se devo ou não fazer as malas e vislumbrar um novo ministério.
1. Já alcancei os anos mais produtivos do meu ministério
nessa igreja/organização?
Eu creio sinceramente que deve haver um momento quando nós
olhamos para dentro de nós mesmos e de uma maneira integra
e honesta venhamos a formular a seguinte pergunta: "Eu estou
hoje num estágio onde o meu ministério tem sido eficiente
para a vida desta igreja/organização?" Exemplo:
para um pastor que está iniciando o seu ministério
em uma determinada igreja é quase certo que aquele primeiro
pastorado - via de regra - será a de um curto pastorado.
A razão para isto é que ele não tem experiência,
ele vai cometer uma série de erros, ele irá se desencorajar
e possivelmente o período de uma três anos é
um período caracterizado por um processo de aprendizado.
O fato é que os anos mais produtivos de um ministério
- em termos gerais - não estão nos primeiros anos
de uma carreira ministerial. Essa á a razão para a
relevância dessa pergunta número um. Observadores afirmam
que são necessários um mínimo de cinco anos
antes que um líder venha a ser realmente eficiente num ministério
ou numa organização. Para um líder que muda
de igreja a cada três anos é simplesmente impossível
atingir os seus anos mais eficientes. É necessário
você perguntar a si mesmo não apenas sobre a sua idade
cronológica, a idade da sua carreira, mas é fundamental
perguntar a si mesmo: "Nessa igreja/organização,
eu já alcancei os mais produtivos anos do meu ministério?"
2. Eu tenho um sonho e paixão por esse trabalho?
O escritor Mack Davis declarou certa vez: "Quando o sonho de
um homem é anulado não há mais nada a fazer
a não ser preparar o seu funeral." Essa pergunta lhe
leva a um outro examinar significativo. É quando você
se pergunta: "A minha visão está intacta? O meu
sonho ainda está palpitando forte em meu coração?"
3. Os meus dons estão sincronizados com a tarefa que
tenho a cumprir?
Em outras palavras, as minhas áreas fortes de atuação
estão alinhadas com as demandas que estão sobre mim
nesse campo de trabalho em particular? Os meus dons "batem"
com aquilo que eu estou fazendo? Dois fatores ocorrem quando você
está se aproximando dos seus anos de maturidade ministerial.
Número 1: você se dá conta daquelas coisas que
você faz bem e se sente bem em faze-las. Número 2:
você se dá conta daquelas coisas que você não
faz bem feito e você não se sente bem em faze-las.
Uma das coisas mais tristes que tenho observado é de contemplar
líderes posicionados e operando numa posição
onde - decididamente - eles não são eficientes e,
consequentemente, não produtivos. Por experiência própria,
eu costumava me sentir culpado quando me dava conta da minha completa
inabilidade para desempenhar certas funções pastorais;
e a culpa vinha porque eu não sentia prazer naquilo que estava
fazendo. Muitas coisas que eu fazia e até aos olhos das outras
pessoas dava a impressão que eu fazia muito bem. Porém,
à medida em que fui amadurecendo, fui também compreendendo
que aquelas tarefas não estavam em sincronia com o meu temperamento,
minha personalidade e nem com a combinação dos meus
dons. É necessário que você conheça realisticamente
os seus pontos fortes, mas também é necessário
que você conheça objetivamente os seus pontos fracos.
4. Estou filosoficamente compatível com as pessoas as
quais estou trabalhando?
Essa é uma pergunta decisiva antes de fazer as malas ou decidir
ficar no lugar onde você se encontra. É quando eu medito
nessa questão: "As pessoas com as quais estou ombro
a ombro nesse ministério, elas estão na mesma "faixa
de onda" em que eu me encontro?" O fato é que se
filosoficamente você não está compatível
com as pessoas que estão liderando e ministrando com você,
certamente que você está em problemas e tudo o que
você irá enfrentar é uma série contínua
de conflitos sem uma previsão imediata de solução.
Quando filosificamente não existe compatibilidade, a questão
deixa de ser quem está errado ou quem está certo,
mas sim a evidência de uma grave problemática de se
ter duas ou mais direções tomando lugar e como resultado
o caos passa a ser lugar comum.
5. Minha formação social e cultural se encaixa
com esta igreja/organização?
Essa é uma outra boa pergunta que tem muito me ajudado através
dos anos. A prática tem me mostrado que muitos pastores que
tem uma formação cultural e social no sul do país
- por exemplo - tem uma dificuldade muito grande de se ajustarem
no nordeste do país e vice-versa. Isso não é
uma questão de certo ou errado. Isso na realidade apenas
significa que o modus operandus de se pensar e atuar terá
como base fatores sociais e culturais. Eu não vou citar uma
região em particular, mas existem certas regiões do
nosso país que eu não me arriscaria a pastorear porque
eu sei que culturalmente eu não me encaixaria. As pessoas
daquela região iriam me causar um enorme desconforto e em
contrapartida eu iria incomoda-los tremendamente e o que teriamos
na realidade seria um amontoado de gente em conflito por um bom
período de tempo. Isso porque não houve um ajuste
social e cultural que deveria ter sido levado em conta. Essa pergunta
deve ser respondida com séria objetividade porque as pessoas
de um modo geral se relacionam através da sua cultura e da
sua formação social.
6. Eu tenho uma habilidade que já foi esgotada no meu
ministério atual?
Existem certos pastores que exercem uma função terapêutica
em uma determinada congregação. Esses líderes
já iniciam o seu trabalho com uma perspectiva bem clara e
determinante de uma breve permanência. Talvez tenha sido o
caso de uma igreja que enfrentou uma traumática divisão
e demanda naturalmente a presença de um pastor com um forte
perfil pastoral a fim de amar, cuidar, compreender e promover cura
naquele corpo. Temos que estar abertos para entender que eventualmente
e em alguns casos a nossa permanência é mesmo por apenas
um período específico na vida de uma congregação.
Existem certos pastores - por exemplo - que são plantadores
de igreja. De um modo geral eles são incríveis naquilo
que realizam. Eles começam uma igreja com uma grande rapidez;
na primeira semana cinqüenta pessoas são salvas, a oferta
supera a expectativa, eles alugam um local de reuniões maravilhoso
e nos próximos três anos o que você vê
é uma incrível atividade. Porém, o fato é
que da mesma maneira que eles edificam muito rapidamente, da mesma
forma se eles permanecerem no mesmo lugar por muito tempo podem
dividir aquilo que ajudaram a somar. Eu tenho visto pastores levantarem
uma igreja e quando esta congregação chaga a duzentas
pessoas, ela se divide e é reduzida a cinqüenta pessoas
novamente. E novamente de cinqüenta ela se ergue a duzentas
pessoas e novamente se divide e volta para os cinqüenta e o
ciclo continua. Essa igreja teria seiscentas ou oitocentas pessoas
se todos permanecessem na mesma congregação. Por que
isso ocorreu? Porque certos líderes tem dons que devem ser
usados apenas por um certo período de tempo. E a pergunta
que tenho que fazer dentro da minha realidade é: "A
minha habilidade já foi esgotada nesse ministério?"
Sim ou não?
7. Minha credibilidade ainda está forte o suficiente
para permanecer?
Essa é uma das perguntas mais importantes para decidir se
vamos permanecer ou se vamos mudar. Essa pergunta é vital
porque quando você perde credibilidade com a sua congregação
- decididamente - é hora de mudar. Quando pastores me dizem
que a sua congregação já não mais lhe
seguem, quando eles já não tem mais influência
sobre o seu povo e quando esses sinais estão fortemente presentes,
então não há mais nada a fazer a não
ser ligar para a companhia de mudanças. Por que? Porque você
perdeu a sua credibilidade. Isso não significa necessariamente
que você seja uma pessoa de mau caráter, um péssimo
líder ou que esteja vivendo em pecado. O que significa é
que as pessoas já não lhe seguem mais e se as pessoas
não lhe seguem você deixou de influenciar e se você
já não mais influencia, isso significa que você
já não é mais um líder, porque liderança
é influência.
Credibilidade é como ter dinheiro vivo depositado em um banco.
Se a sua credibilidade está intacta com o seu povo, então
o seu reservatório nesse banco é crescente e os dividendos
são adquiridos automaticamente. Quando a credibilidade é
quebrada o seu reservatório também é quebrado
e as suas reservas simplesmente se esvaem. É fato absoluto
que algumas vezes líderes em igrejas - ou em organizações
- vão a falência e quando a falência é
declarada, torna-se muito difícil encontrar um outro caminho
a não ser uma nova transição.
8. Estou disposto a pagar a preço a fim de ver o crescimento
desta igreja/organização?
Quando honesta e sinceramente nos damos conta que não estamos
mais dispostos a pagar o preço exigido para ver o crescimento
da igreja/organização, então - sem nenhuma
dúvida - é hora de ir embora. A razão para
isso é que alguém tem que pagar a preço e se
não estamos dispostos a isso a coisa mais íntegra
a fazer é escrever a carta de demissão. Existem certos
aspectos em um determinado ministério que só serão
realizáveis em função de um alto preço
a ser pago e temos que examinar se este preço será
pago por nós ou por uma outra pessoa. Eu estou disposto a
pagar o preço?
9. Se eu tivesse um outro lugar para ir, eu ainda assim, ficaria
aqui?
Não faz muito tempo atrás, em conversa com um pastor
ele compartilhou comigo a sua experiência e situação
do seu relacionamento com a sua igreja. A certa altura da nossa
conversa ele me perguntou: "Nélio, o que você
acha, devo ficar em minha igreja ou devo ir embora?" A minha
resposta a esse querido irmão veio em forma de uma pergunta.
Eu lhe perguntei: "Se você tivesse condições
de fazer uma transição, se esse convite lhe oferecesse
um bom salário e excelentes benefícios, você
mudaria?" E ele me disse: "Sim, eu me mudaria." E
eu então acrescentei: "Então a sua pergunta já
está respondida."
O fato lamentável, porém, esta é a realidade,
são inúmeras as vezes em que ficamos em igrejas e
organizações não porque desejamos ficar; mas
ficamos porque não temos nenhum outro lugar para irmos. Eu
tenho ouvido pastores que vem a mim e me dizem: "Mas, para
onde eu vou se sair daqui?" Essa pergunta chega às raias
de ferir a integridade de alguém. A minha pergunta é:
Não ter um outro lugar para ir é razão suficiente
para permanecer onde você está? Isso é justo
para com as pessoas que pagam o seu salário? Estou perfeitamente
consciente que esta é uma questão complicada. Porém,
se uma pessoa pode em sã consciência admitir que iria
para um outro lugar se houvesse oportunidade, isso em si mesmo já
uma razão para mudar. E a razão para isto é
que uma pessoa jamais será eficiente quando o seu desejo
seria o de estar em um outro lugar.
10. Eu tenho uma atitude positiva em relação ao
meu trabalho?
Ao concluir com essa décima pergunta você certamente
que pôde perceber que todas essas perguntas não são
difíceis de serem respondidas. O problema com essas perguntas
é que elas acabam se transformando numa questão emocional.
A minha tentativa nada mais e nada menos é do que tentar
colocar as emoções de um lado e de outro lado simplesmente
poder examinar detida, honesta e objetivamente a possibilidade de
tomar uma sábia e correta decisão. Decisão
esta que poderá fazer uma diferença fundamental não
apenas na minha vida pessoal, no meu ministério, mas também
na vida daquele precioso e incalculável tesouro que Deus
me deu: a minha família.
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